terça-feira, 25 de junho de 2013

Franciel Cruz: Qual o resultado do futebol?

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Naquele fim de manhã de segunda-feira, a inquietação daquele mininu num era apenas provocada pelo fervor da puberdade. Nécaras. O que ele efetivamente sentia era uma angústia transcendental – caso o referido soubesse que porra significava transcendental. 

Porém, ele sabia de outras coisas. Sabia, por exemplo, que, no medieval sertão nordestino, ninguém, muito menos os meninos de pouca idade, ousaria ter o desplante de sequer pensar em afrontar seus pais. Aliás, não podiam nem cogitar ser dono de uma opinião, qualquer que fosse. O silêncio era o segredo do sucesso. Ao contrário de hoje, quando vivemos neste império infantil, o Estatuto da Criança e do Adolescente de priscas eras possuía apenas o seguinte e sucinto artigo: “Menino, cachorro e tamanco são debaixo do banco”. 

Ô, DESGRÓRIA!!! 

Mas, o desinfeliz planejava a subversão. E isto estava escrito em letras garrafais no seu atormentado semblante. Digo que estava escrito assim, no chute, pois não podia, efetivamente, ver o rosto dele. Não havia espelhos acessíveis para mim na Loja de Confecções Vestilar. Sim, aquele projeto de rebelde atormentado naquela manhã de segunda-feira era eu. 

Vocês, moços, civilizados moços, que nunca viveram o carrancismo, talvez não tenham dimensão. E, como já soprou Loius Armonstrong quando questionado sobre o jazz, “se você precisa perguntar, não vai entender jamais”. Porém, mesmo assim, lhes direi.

Seguinte era este. (veja aqui)

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