
As negociações não prosperaram e Carneiro não voltou a ser procurado por Elmano Portugal ou por Jodilton Souza. Os motivos para que as conversas tenham sido suspensas ainda não foram anunciados oficialmente e se depender de um dos mais polêmicos dirigentes esportivos dos últimos tempos, dificilmente serão conhecidos.
Em entrevista ao PORTAL FS, o engenheiro e empresário, que presidiu o rubro-negro baiano por quase 15 anos e arrebatou a hegemonia estadual do arquirival Bahia, diz que não divulgará informações sobre a proposta apresentada ao tricolor feirense.
Ele afirma ainda ter ficado chateado com o vazamento de detalhes sobre sua proposição e destaca que o Fluminense precisa sonhar com a Série B do Campeonato Brasileiro. Carneiro também apontou o que ele considera como os pilares fundamentais para garantir a sobrevivência de um clube de futebol.
PORTAL FS - Como estão as negociações entre o senhor e a direção do Fluminense de Feira?
Recentemente me aproximaram de Jodilton e Elmano, dois empresários de sucesso, que estão comandando o Fluminense, mas as nossas conversas, apesar de terem sido muito boas, não avançaram e eles têm todo direito e liberdade de seguirem o caminho que considerarem melhor para o clube.
Eu sempre estarei a disposição deles, torcendo para que o Fluminense consiga galgar um lugar de destaque no futebol da Bahia, do Nordeste e quem sabe, até no futebol do Brasil. Eu torço muito por eles, mas não existe nada sobre minha entrada no clube.
PORTAL FS - Eles propuseram alguma espécie de sociedade ao senhor?
PAULO CARNEIRO - Eu não entro em detalhes quanto a essas questões. Eu até soube que minha proposta tinha vazado para um repórter e fiquei muito chateado com isso. No meu entendimento essas questões comerciais são confidenciais e eu não divulgaria como não divulgava na minha época no Vitória, e era até mal entendido por causa disso.
Questões comerciais são inerentes as pessoas que estão conversando, fiquei muito triste ao saber que a minha proposta tinha vazado, apesar dela não ter nada demais. O repórter está no papel dele e não tem culpa, mas espero que as pessoas tenham mais cuidado com isso.
PORTAL FS - Que tipo de gestão deve ser colocada em prática no Fluminense para que o clube tenha sucesso?
PAULO CARNEIRO - Eu costumo dizer que seja o Fluminense de Feira ou o Real Madrid da Espanha, um clube tem que ter marketing, estádio e divisão de base para prosperar, estes são pilares fundamentais. A divisão de base é importante para que seja possível fazer um time mais barato e ter matéria prima para você criar receitas alternativas. Já o estádio, é onde você deve abrigar as propriedades comerciais e associar o torcedor, por que hoje, as pessoas não se associam apenas por causa das campanhas eventuais.
Então, nesse caminho, com estádio, divisão de base e um bom planejamento de marketing, qualquer equipe vai estar bem colocada de acordo com seu nível e seu status.
PORTAL FS - Considerando a realidade atual o Fluminense de Feira tem condições de futuramente estar pelo menos na segunda divisão do futebol brasileiro?
PAULO CARNEIRO - Eu acho que é esse o caminho para o Fluminense, não ficar sonhando com a Série A, mas acreditar na segunda divisão, que é uma competição que vai acrescer muito mais, os direitos de televisão vão dar um salto. Eu acho que em aproximadamente três ou quatro anos, o contrato de televisão vai estar na casa dos 100 milhões de reais, e isso é suficiente para um clube se manter.
Agora, se sonhar com a primeira divisão, quebra a cara. Na Série A, qualquer clube sem dinheiro vai subir e descer, subir e descer. Vitória, Bahia e Sport Recife como são do Clube dos 13, tem uma receita melhor, que permite que eles briguem pra ficar na elite, mas quem não tem, vai ficar subindo e descendo. E isso desgasta até os dirigentes. Eu entendo que a Série B deve ser um caminho que o Fluminense de Feira deve trilhar como meta.
PORTAL FS - A existência de mais de um clube profissional na cidade de Feira de Santana é um incentivo adicional para ambos? Isso é bom ou é ruim para o Fluminense?
PAULO CARNEIRO - Isso é negativo. Você não pode impedir a criação de outros clubes, mas uma cidade como Feira só comporta um representante. Com todo o marketing, toda mídia, todas as atenções voltadas para o Fluminense. Quando aparecem muitos times a tendência é que o principal clube tenha dificuldades.
É a mesma coisa que nós, no passado fazíamos. Eu era Flamengo, por que o Vitória não ganhava de ninguém. Embora a força da mídia eletrônica faça com que os mais jovens escolham o torcer pelo São Paulo, pelo Palmeiras, tem que ser feito um trabalho de marketing muito forte para que essa juventude seja Fluminense de Feira
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