
As profissionais do sexo, sem dúvida, não são uma boa fonte de informação, não é? No Jornal Nacional, apareceu um rapaz que diz ter sido vítima de uma delas. Também ele, ao perceber que era calabresa e não mozarela, teria recusado o programa, mas aceitado que o rapaz chamasse, por telefone, duas mulheres. E chegaram mais dois travestis. E ele também teria sido extorquido e roubado. Fez um BO, mas omitiu as circunstâncias, que só revela agora. Huuummm...
Vejam quanta irrelevância. No fim das contas, o que Ronaldo faz ou deixa de fazer é problema dele, não é mesmo? É. Mas ele é pessoa pública, e foi o público, apreciando seu talento específico, que lhe garantiu fama e fortuna. Por mais que se aponte a espetacularização do caso, não tem jeito: assim é no mundo inteiro. O povo, em Roma, já especulava muito sobre a alcova de seus imperadores. Se vocês lerem Os Doze Césares, de Suetônoio, boa parte das biografias é dedicada aos folguedos eróticos. Ronaldinho não tem muita saída: o povo quer saber.
Há duas questões aí que me provocam mais tédio do que outra coisa. Uma delas, claro, é ver um ídolo como ele — e a fama não deixa de ser uma construção coletiva, não é? — cair numa roubada dessas, ainda que sua história, mesmo inverossímil, seja verdadeira. É um jeito ruim de viver o ocaso da fama. E a outra?
As pessoas públicas no Brasil — em sentido amplo: políticos, celebridades, famosos em geral — estão certas de que brasileiro acredita em qualquer história, por mais esfarrapada que seja.
Reinado Azevedo
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